
Ei, a data escrita à direita aqui no perfil está errada. Eu não estarei na Venezuela até 10 de outubro. Antecipei minha viagem em quatro dias e já estou no Brasil.
Na bagagem, um mês que não vou esquecer, uma experiência única. Mas são poucas as saudades do trânsito caótico, da desordem e da sujeira de Caracas (não é na cidade toda, importante dizer).
Sentirei falta, sim, dos amigos novos e das aventuras desses 30 dias.
Enquanto espero meu avião para Floripa (e a feijoada da minha mãe) aqui no aeroporto de Guarulhos, melhor contabilizar o que consegui fazer. Não cumpri todos os meus objetivos, mas estou certo de que fiz o possível. O mais difícil está por vir: passar pro papel essas entrevistas, visitas às emissoras e o ‘cheiro’ de Caracas, transcrevendo como é viver num país em Revolução.
Lições de Caracas:
- Nunca mais reclamar dos engarramentos entre a UFSC e minha casa.
- Nunca mais dizer que minha cidade está suja ou tomada por vendedores ambulantes. Tem coisa muito pior!
- Reclama das buzinas na Lauro Linhares (a rua principal do meu Bairro)? São fracas perto da potência dos motoristas caraquenhos, que fazem um barulho infernal das seis da manhã às 10 da noite.
- Brasileiros se ajudam em qualquer lugar, sempre. A minha estadia não seria a mesma sem a ajuda e a amizade da Rosiane, Ana Paula, Alexandre, Mário, Diana, João e Diego. Muito obrigado, mesmo!
- As mulheres brasileiras não são as mais bonitas do mundo. As siliconadas venezuelanas são um exagero de beleza.
- Ser jornalista é mais difícil do que eu imaginava. Em Caracas, então, é ainda mais complicado.
- O Brasil ainda tem muito o que aprender em comunicação. Televisão de qualidade como a que o governo venezuelano faz não existe por aqui. Grandes veículos de imprensa que peitam e criticam com intensidade o presidente do paístambém são escassos no nosso país. Lições de vida e de Jornalismo.
Entre expulsões de hotéis (os mais baratos só aceitam turistas por três dias), uma tentativa de assalto, um cartão de crédito desaparecido, apertões no metrô, visitas a três favelas, quatro rumbas de salsa e reggaetton (baladas!) e almoços barganhados no Ministério de Comunicação e Informação, sempre correndo de uma ponta a outra da cidade, sobrevivi a essa gigante.
Hora de fazer o check-in da Gol e voltar para a minha realidade, que não será mais a mesma.
A Venezuela, até então um vizinho desconhecido ali no mapa, está em ebulição. Vive uma batalha diária diante das telas de tv. Uma aula ao vivo de democracia, de poder popular, de desentendimentos e de autoritarismo. Todos juntos, regados a muita salsa e arepas.
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